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Per ardua surgo  
Fabio Andre Silva Reis
21 Dez 2014
Salvador-BA
 
Na última semana de dezembro fico irremediavelmente propenso a refletir sobre o ano que chega ao seu término. Meus pensamentos são inundados por imagens, palavras, pessoas, lugares, sabores e perfumes que experimentei ao longo desses doze últimos meses.

As mentiras ditas pelas pessoas que nos são caras, a falta de cuidado e a intolerância quando o carinho e o afeto são mais do que necessários. O egoísmo torrencial, as dissimulações reptilianas, a raiva e o descontrole fortuitos, e a secura de espírito merecem uma cova bem funda. Mas não falarei dessas coisas: elas não merecem ser escritas.

Os planos que não deram certo, as lágrimas derramadas, as expectativas não atendidas, as discussões desnecessárias, a fraqueza de caráter, o coração sem vida, as mortes prematuras, o desejo reprimido, o amor que não se rega, o preconceito inflexível. Tudo isso é apenas um parágrafo fantasma: não merece estar escrito.

Guardo em minha memória apenas as melhores cenas, as melodias mais marcantes, os cenários mais deslumbrantes e as fotos cinco estrelas. As lembranças ruins, as dificuldades intransponíveis e o sofrimento visceral, sequer merecem ser escritos.

Os momentos tristes, as decepções, as desilusões, os arrependimentos e as angústias guturais estiveram presentes e deixaram as suas marcas. Entretanto, eles enriqueceram o meu vocabulário, criaram anticorpos e viraram limonada. Serão sorvidos em sua totalidade até a última gota; são a matéria-prima dos vencedores.