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Fada verde  
Fabio Andre Silva Reis
09 Ago 2011
Praha-CZ
 
Ao desembarcar em Praga percebo as diferenças de infra-estrutura. Estações mal-cuidadas, dificuldade para obter informações, trocar dinheiro e pegar o metrô tarde da noite. Contudo, bastou adentrar o metrô para o cenário mudar, ou melhor, para que as personagens transformassem o cenário no melhor dos mundos.

Apesar do formigueiro de turistas, nada melhor que perambular pelas ruas, vielas e becos de Praga, um verdadeiro cenário de contos de fada. Digo, sem medo de errar, que essa cidade é o lugar ideal não apenas para um pedido de casamento ou viagem de lua-de-mel inesquecíveis, mas para celebrar as boas coisas da vida e a felicidade per se na companhia de amigos de fé.

Decerto que sujeitos suspeitos invadem suas vielas durante a noite a oferecer sexo fácil, porém pago e caro, num discreto distrito da luz vermelha. Entretanto, basta percorrer mais algumas ruas para mudar a coloração e experimentar o teatro da luz negra de Praga, ou ouvir sobre a lenda do construtor de relógios Hanuš, condenado a perder a visão após finalizar o maravilhoso Orloj, de maneira a não repetir o seu trabalho. Um assum preto às avessas: cego, Hanuš certamente não cantaria melhor.

Em Praga, os sentidos amolecem e intensificam a sensibilidade de seus radares. O tempo parece passar mais devagar. A cidade proporciona uma constante experiência surrealista, por vezes, alucinógena, seja na arquitetura, lendas, marionetes e, sobretudo, na beleza feminina que faz verter lágrimas emocionadas até nos olhos mais insensíveis. Uma beleza que merece uma crônica totalmente voltada ao assunto.

A cidade é um templo perfeito para celebrar a amizade e as coisas que importam nessa vida. Peço então três doses caprichadas de absinto para celebrar as novas e antigas amizades, “prosím”, e vejo a bela garçonete atear fogo nos torrões de açúcar que derretem e escorrem lentamente para o líquido esverdeado. Após um tímido “děkuji”, faço um brinde bem brasileiro, à breve e fugaz felicidade.

Nikita / Fada dos olhos verdes / Volátil e fugaz / Qual fogo e felicidade / Adoça e dá sentido / Sussurra “na shledanou” / E se vai.