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Amor latin(d)o  
Fabio Andre Silva Reis
13 Jul 2016
Salvador-BA
 
Despretensiosamente, uma música preenche o ambiente. Bem verdade que é uma música conhecida, mas que desta vez, tocou de uma forma diferente, com sabor apimentado, com toques de curiosidade e malícia, com lábios carnudos e cheiro de arepa no fogo. Imediatamente, sua imagem toma conta do cenário e traz recordos de idos passados não sorvidos em sua totalidade.

As conexões neurais invadem as redes sociais e o nosso encontro começa a tomar corpo, ainda que pareça algo quase inviável, uma mera cortesia entre amigos; como sói ocorrer em todos os encontros espetaculares.

Quiçá por obra divina, daquelas que somente logram acontecer em noites frias e chuvosas, já estamos a bailar cada vez mais próximos, cada vez mais latinos. Apesar do beijo tímido e assustado, a pele está em chamas, com aroma de reencontro inesperado e posição astrológica perfeitamente alinhada.

De repente, o firmamento desaparece ao ruidoso som de cataclismo inevitável e cores de epifania. Alteram-se as forças gravitacionais e os campos energéticos. De repente, se está diante de forças divinas e energias incontroláveis, sentimentos e emoções, mesclados e confusos. Adeus zona de conforto. De repente, tem-se a exata noção da grandiosidade deste encontro de corpo, e de alma.

Engana-se quem pensa que basta relaxar e seguir o fluxo, que bastaria navegar e seguir distraído pelas águas mornas e tranquilas do amor: força, disciplina e fé são necessários. Não basta cerrar os olhos e escutar o amor como uma música tranquila. Tal melodia demanda um esforço contínuo, tenaz e permanente para superar obstáculos, ruborizar os medos e arriscar grande.

Amor é a força do rompimento e o combustível para reconstruir. É necessidade de mudança, mas também a própria mudança. É a força destruidora e criativa que molda o nosso futuro. É causa e efeito; é o momento de epifania e transformação. O amor é ruptura e germinação.

Maçã de Newton, maçã de Adão, é o pecado original que nos faz humanos.
 
   
 

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