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Oxalá
Postagem: 26/02/2010
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Dialética
Tissiana Berenguer Cavalcante
Postagem em: 28/08/09
Sempre valorizei e busquei experiência de vida. Posso, aliás, afirmar que pautei minha vida nesta busca – ao ponto de poder concluir que não me arrependo de nada que tenha deixado de fazer, simplesmente por não ter existido algo que não tenha feito.
Lancei-me no desconhecido múltiplas vezes. Arrisquei novos caminhos. Morei em lugares bem diferentes. Experimentei profissões. Conheci pessoas. Bagagem, eu tenho, mas... eu me pergunto se a que carrego me é útil ou se é um fardo que me atravanca o caminhar. Tenho dúvidas. Sobretudo quando algo muito legal acontece e, em vez de ser mais fácil, eu tenho dificuldade de me entregar.
É incrível como, a partir de uma certa idade, é difícil abraçar o novo como uma coisa, de fato, NOVA. Tudo nos remete a algo. Os acontecimentos parecem ser o prenúncio de algo que já presenciei. O que me dizem, o que observo, o que acontece à minha volta me remete sempre ao que já vi, vivi ou senti. E pior: algo sobre o qual já tenho um conceito formado. Malditos conceitos! Para que a gente precisa deles?
Tudo bem, aí eu faço o exercício de tentar limpar a mente e relativizar as coisas, afinal, a mesma bagagem me traz a lucidez de saber que cada situação, a priori, é única. Mas não dá. Sinto-me contaminada. Há algo em mim que busca me defender, mas acaba, em efeito contrário, me condenando. Condenada a não recuperar jamais a minha ingenuidade, a minha abertura... como um encanto que se quebrou – por medo do que se encantou.
Estou encantada... e isto me assusta. E, assustada, involuntariamente, tiro conclusões, faço interpretações que, quase sempre, me freiam. O exercício, agora, é o inverso: tentar chegar à TABULA RASA. Zerar meu velocímetro. O desafio é me reinventar, me metamorfosear, como diria Raul... me despojar da bagagem que pesa sobre meus ombros. Quem sabe assim eu possa reaprender a olhar o mundo com os olhos puros de criança e viver sem medo do encantamento.
(Escrito em: Salvador-BA, 04/03/2009)
(Leia também o texto da semana de Fabio.)
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Sobre o caráter ficcional das obras
As obras aqui publicadas são inteiramente ficcionais, em nada correspondendo ao comportamento ou opinião pessoal de seus autores. Qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais é mera coincidência. |
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