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Oxalá
Postagem: 26/02/2010
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A Idade
Tissiana Berenguer Cavalcante
Postagem em: 04/09/2009
Já dizia a minha avó: a idade chega pra todo mundo... e quando chega, é sem dó nem piedade. Quando a gente tem 10, 15, 20 anos, a gente acha que 35, 45, 55 é uma realidade tão distante que nunca se concretizará e que, no que dia em que ela chegar (SE chegar), estaremos, de fato, “maduras” – pra não dizer «velhas». Hoje, entretanto, estou “lá”, mas não é “lá” que me sinto: sinto-me a mesma “menina”, guardo em mim a sensação (agora ilusão) de ser, ainda, jovem.
Mas a idade é cruel e como ela, também são as pessoas, que nos servem de espelho, fazendo-nos ver a nua e crua realidade das marcas deixadas pelos anos passados. É aí que a realidade bate na porta... e começamos a ouvir coisas e viver situações nunca pensadas.
Em uma semana, acho que envelheci psicologicamente os 15 anos que, fisicamente eu vinha envelhecendo sem me dar conta. A culpa é das pessoas, que nos servem de espelhos...
Tudo começou na semana passada, quando uma velha amiga, ao me encontrar, se surpreendeu com a minha cabeleira: «você agora tem cabelos pretos, amiga? Não eram castanhos claros?» Sim... eram claros, mas antes de se tornarem brancos, eles escurecem.
Dois dias depois, comento com minha mãe minha nova descoberta: eu não tinha mais um ou dois fios de cabelos brancos, mas mechas. Ao invés de ser consolada por ela, que eu imaginava que diria « mas você ainda está tão jovem, filha...», eu fui é nocauteada, com a frase: «você pensa que a idade só chega pra mim, é?». Quando nossas mães, que resistem sempre em nos tratar como adultos e nos percebem como eternas crianças nos dizem uma frase dessas é porque a situação está séria mesmo.
Aí eu viajo e, no avião, um sujeitinho desconhecido de uns trinta anos de idade se oferece, muito gentilmente, para pegar minha mala no bagageiro, me chamando de «senhora». Quase recusei a ajuda... eu, que já estava tão acostumada a ser tratada de «senhorita»...
De passagem por uma loja, ouço elogios aos meus cabelos curtos por uma vendedora, que diz adorar esse corte e completa: «sou louca pra cortar, mas estou deixando pra mais tarde, quando fizer uns 30 anos, porque não é legal cabelo grande quando a gente fica mais velha, né?»
Por fim, voltando da viagem, encontro num elevador uma velha amiga da escola primária e, alegres com o reencontro, começamos a rememorar coisas da primeira infância. Nos surpreendemos com a quantidade de anos que passamos sem nos ver - ao que um adolescente, que também havia partido do térreo e ouvia a conversa, não se conteve: «Vocês se conhecem há tanto tempo assim? Poxa, então vocês estão muito bem conservadas!» Eu sei, eu sei que a intenção do garotinho foi boa: ele queria nos elogiar, mas... aqui entre nós: tem adjetivo pior para uma balzaquiana que «conservada»?
(Escrito em: Salvador-BA, 04/09/2009)
(Leia também o texto da semana de Fabio.)
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Sobre o caráter ficcional das obras
As obras aqui publicadas são inteiramente ficcionais, em nada correspondendo ao comportamento ou opinião pessoal de seus autores. Qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais é mera coincidência. |
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