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Oxalá
Postagem: 26/02/2010
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atalho_cronicas
Múltiplos
Fabio Andre Silva Reis
Postagem: 11/09/2009
Vejo-a adentrar meu quarto com hábil desenvoltura, como se já o conhecesse, como se já fossem íntimos. Reclina-se junto à parede e abre um sorriso iluminante. Seus olhos castanhos amendoados são, ao mesmo tempo, presa e predador, vampiro e vítima. Um.
Aproxima-se da minha poltrona, inclina-se em minha direção, ajoelha-se sobre o meu colo. Tête-à-tête. Olhos nos olhos. Seu perfume, lábios, olhar e hálito misturam-se em minha órbita. Dois.
Senta-se sobre meu colo macio em chamas. Gruda-se em meus lábios. E então, um abraço osmótico. Há tempos que não sinto uma pele tão minha sobre a minha. E então, um arrepio. Três.
Já não consigo lembrar como nossos corpos ficaram nus. Como suas mãos já deslizam sobre minhas costas. Como já estamos fora de qualquer controle. Quatro.
Ofegante. Olhos fechados. Dentes cerrados. Meus ouvidos só conseguem discernir sua música inarticulada e mais nada. Cinco.
Ao sentir o sol da manhã em meu rosto, lembro da grande besteira que nos contam desde crianças. Desde pequeno, ouço dizer que os orgasmos múltiplos não ocorrem nos homens, que são exclusividade do gênero feminino. Bobagem.
Temos vários, múltiplos, denominadores e incomuns orgasmos masculinos, cuja intensidade varia no tempo. No tempo que leva um suposto orgasmo único.
(Escrito em: Sheffield-UK, 09/09/2009)
(Leia também o texto da semana de Tissiana.)
Foto: Fabio Andre Silva Reis.
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Sobre o caráter ficcional das obras
As obras aqui publicadas são inteiramente ficcionais, em nada correspondendo ao comportamento ou opinião pessoal de seus autores. Qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais é mera coincidência. |
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