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Tumbledown
Fabio Andre Silva Reis
Postagem: 02/10/2009

O amor carece de liberdade para vingar. Por que é demasiado difícil para as pessoas entenderem que o arame farpado o fará sangrar, as cercas elétricas o afastarão e a vigilância constante causarão desgaste irremediável? O amor precisa de ar fresco, largos horizontes e novos desafios. Não sei amar sem liberdade.

Algumas línguas mais habilidosas me chamarão de inconstante, mutável e insatisfeito. As mais ferinas e possessivas me chamarão de volúvel, infiel ou até mesmo safado. Não me entendem. O que chamam de traição é um processo de investigação, uma tentativa de averiguar se certas coisas podem ser melhores em outros contextos e situações. A curiosidade do ser humano não possui limites: somos curiosos por natureza.

Por que punir a curiosidade humana? Por que inibir a busca interior por novas experiências? Por que punir o exercício permanente de humildade? Por que não aprimorar o espírito com a concessão do perdão? Por que não cultivar um coração generoso?

A liberdade pode ser a chave para a reconstrução e fortalecimento dos relacionamentos. Convívios monótonos, vazios e mortos-vivos ganham novo ânimo e energia. Relacionamentos gélidos, naufragados e inexistentes são contagiados por uma onda de calor estimulante.

Essa é a natureza humana. A maioria das línguas habilidosas e ferinas ficariam estupefatas se descobrissem quantas traições aconteceram sob os respectivos narizes e quanta coisa boa brotou desse ato, ainda que velado, escondido e inexplícito. Ficariam ainda mais perplexas ao saber que os paladinos da fidelidade pularam a cerca elétrica em algum momento da vida. Hoje, são pessoas mais equilibradas e conscientes dos seus desejos e escolhas.

Mas não. Teimam em cercar, isolar e amarrar. E eis que a vida conjugal vira um jogo de Tumbledown.


(Escrito em: Sheffield-UK, 01/10/2009)

(Leia também o texto da quinzena de Tissiana.)

Foto: Fabio Andre Silva Reis.








Sobre o caráter ficcional das obras
As obras aqui publicadas são inteiramente ficcionais, em nada correspondendo ao comportamento ou opinião pessoal de seus autores. Qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais é mera coincidência.
 
 
 
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