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Oxalá
Postagem: 26/02/2010
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atalho_cronicas
Morando só
Tissiana Berenguer Cavalcante
Postagem em: 23/10/2009
É uma delicia morar só. A gente leva a vida no nosso ritmo, come na hora em que dá fome, lê até tarde sem incomodar ninguém e ainda pode tomar banho com o som nas alturas, pra ouvir a música bem debaixo do chuveiro. Outra coisa boa é você acordar e nem precisar se olhar no espelho... e poder andar pela casa com aquela roupinha de malha mais velha que você tem, já mais fininha, de tanto lavar, e decorada com alguns furinhos feitos pelo tempo. Uma das melhores coisas de se morar sozinha, aliás, é justamente ‘não ter que ser sexy’. É muito bom morar só : a gente experimenta uma sensação de liberdade, autenticidade e apropriação do nosso espaço que nunca imaginamos poder ter.
Mas é claro que nem tudo são flores... há algumas situações em que a falta de uma figura masculina (sobretudo para as que já foram casadas) se faz mais evidente. Trocar a lâmpada, por exemplo, é uma tarefa simples, mas... e quando o pé-direito da sua casa é alto demais ao ponto de uma escada básica não ser suficiente ? A gente chama o porteiro. E aí ‘regride’, mesmo, se mostra frágil e infantil (« moço, me ajude... »), pra ver se ele se sensibiliza com a nossa situação e vem nos acudir. E ainda temos que agradecer a Deus por morarmos no Brasil, pois se fosse fora, não teria nem porteiro a quem recorrer...
Quando se mora num prédio de escadas, aí sim, temos outro grande desafio : subir com as compras do mercado. Não tem porteiro que dê jeito, porque haja boa-vontade pra toda semana a gente pedir uma coisa dessas, né ? De tanto me estressar com isso e mal-dizer a minha condição de solteira toda semana a cada degrau (e olha que são 36 !), dei uma ordem a mim mesma e me proibi de « fazer um mercado grande ». Pronto, decisão tomada : vou comprando um paozinho aqui, um leitinho ali, um sabãozinho em pó... e todo dia eu trago uma sacolinha pra casa, sem sofrimento ! Já o galão de água mineral... tudo bem que a distribuidora traz até aqui em cima, mas... e quem coloca no lugar ?
Agora o fim da picada, mesmo, foi o dia em que eu cheguei em casa, vindo de uma festa, e antes de abrir a porta percebi que a luz do meu apartamento estava acesa. Aí não teve jeito, tive que apelar para o amigo (nessas horas tem que ser amigo HOMEM !) que havia me dado carona : « João, querido, dá meia-volta e vem aqui, por favor, que eu não tenho como entrar em casa... ». Mas fiquem tranquilos, não era ladrão – foi apenas uma pane elétrica. Morar só é uma delícia, mas dá curto-circuito.
(Escrito em: Salvador-BA, 22/10/2009)
(Leia também o texto da quinzena de Fabio.)
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Sobre o caráter ficcional das obras
As obras aqui publicadas são inteiramente ficcionais, em nada correspondendo ao comportamento ou opinião pessoal de seus autores. Qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais é mera coincidência. |
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