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Oxalá
Postagem: 26/02/2010
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atalho_cronicas
Mas eu gosto de você
Tissiana Berenguer Cavalcante
Postagem em: 06/11/2009
“Você não vale nada, mas eu gosto de você... tudo o que eu queria era saber por quê.” É impressionante o sucesso que essa música vem fazendo atualmente, usada em novelas, propagandas, programas humorísticos... e, também, por nós. Sim, fazemos piadas com ela, brincamos com nossos parceiros... a achamos engraçada, é fato, mas não paramos para pensar no seu real significado.
Talvez o verdadeiro sucesso dessa música se deva não exatamente ao seu lado cômico, mas à sua capacidade de despertar algo em nossos inconscientes. Ainda que de forma jocosa e, até, desrespeitosa, ela acaba, despretensiosamente, tocando num tema delicado: o mistério que envolve o amor. Se ‘a mocinha não vale nada’, por que então ela é amada? Não deveria ser o contrário?
A resposta é NÃO. Não, porque simplesmente não existe esta correlação lógica. De fato, ninguém nunca sabe por que ama alguém. E se disser que sabe, é porque não é amor de verdade: é capricho. Porque amor de verdade não se escolhe. Não se governa. Ele simplesmente acontece, quando menos se espera e de uma forma tão misteriosa que quem ousar explicar as razões por que ama, cai logo no descrédito.
Lembro-me que uma grande amiga me perguntava sobre o meu primeiro amor: “Por que você gosta dele? O que você vê nele para gostar?” – ao que eu respondia: “Gosto porque gosto.” E dava um ponto tão final e convicto que ela ficava atônita. Anos depois, ela me confessou a espécie de inveja que sentia ao me ouvir falar isso: como deveria ser bom sentir um amor tão “gratuito” e “inexplicável”! Era isso o que ela procurava e, depois, encontrou - e agora diz: “Gosto porque gosto”.
Recordo-me, também, de ter ficado perturbada com o questionamento desta amiga e ter, por conta disso, partido para questionar, igualmente, o rapazinho. Confesso que tive medo da sua resposta, mas resolvi encarar o risco dele me trazer explicações racionais. Para a minha felicidade, entretanto, ele se mostrou perdido diante da minha pergunta e me respondeu um vago “Não sei não...”. Ufa, que alívio! Como era bom saber que eu não estava só nas profundezas do mistério... e nem ‘sozinha no amor’.
A nossa música ‘inspiradora’, assim, independentemente de agradar aos ouvintes ou não, tem o mérito de nos lembrar que a força de um amor vem justamente da sua impossibilidade de explicação. Está discordando de mim e quer fazer um teste? Pergunte ao seu companheiro se ele gosta de você. Se ele ficar vacilante e não conseguir articular bem as idéias, CASE com ele. Já se ele apresentar de pronto respostas... saia correndo! É fria!
(Escrito em: Salvador-BA, 02/11/2009)
(Leia também o texto da quinzena de Fabio.)
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Sobre o caráter ficcional das obras
As obras aqui publicadas são inteiramente ficcionais, em nada correspondendo ao comportamento ou opinião pessoal de seus autores. Qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais é mera coincidência. |
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