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Oxalá
Postagem: 26/02/2010
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atalho_cronicas
Palavras finais
Fabio Andre Silva Reis
Postagem: 27/11/2009
29 de setembro de 2006. Dia das secretárias. Na calçada em frente ao mar da Barra, ouço sua voz ao telefone. Conversamos trivialidades em meio à brisa soteropolitana, leve e constante. Ouço sua voz cansada, mas feliz pois, afinal, foi uma boa ideia adiantar o seu retorno, previamente programado para o dia seguinte. Que sorte termos encontrado assento disponível no voo de sexta-feira. A saudade já estava apertando.
Você sugere um final de semana prolongado no Litoral Norte a partir de amanhã. Eu concordo sem pestanejar. Está decretado! O nublado do céu logo fica ensolarado e a brisa torna-se mais morna. Você sabe mais do que ninguém o quanto eu gosto do ócio não-produtivo, das surpresas, do andar distraído protegido pelo acaso (como na música dos Titãs) e da falta de rotina. Já penso em preparar o roteiro da viagem, passar no mercado e checar o nível de óleo e a pressão dos pneus do carro.
Excesso de trabalho, semana cansativa, pouca grana. Eu concordo com cada uma das suas pequenas lamentações. Já as conheço ainda de longe, ainda que vindas do calor manauara. Nem por isso elas deixam de ser sedutoras. Sei que você tem prazer no que faz. Sei que esses pequenos lamentos são a deixa para minhas palavras de conforto.
A ligação já dura mais de quinze minutos. Preciso desligar. Preciso retornar ao restaurante e compartilhar os momentos finais do almoço junto aos colegas de trabalho. Pequenas lamentações minhas que servem de deixa para as suas palavras de conforto.
Beijos e boa viagem. São as minhas palavras finais. Beijos e saudades são as últimas palavras suas ditas ao meu ouvido. Uma delas, ainda hoje, sinto reverberar na leve e constante brisa soteropolitana.
(Escrito em: Sheffield-UK, 26/11/2009)
(Leia também o texto da quinzena de Tissiana.)
Foto: Fabio Andre Silva Reis.
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Sobre o caráter ficcional das obras
As obras aqui publicadas são inteiramente ficcionais, em nada correspondendo ao comportamento ou opinião pessoal de seus autores. Qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais é mera coincidência. |
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