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Certinha
Tissiana Berenguer Cavalcante
Postagem em: 03/01/2010

Sempre fui certinha... certinha demais, inclusive. Deveria ter transgredido mais, ousado mais, experimentado mais... mas não, eu tinha que ser correta em tudo, não desapontar ninguém nem deixar o trem jamais sair dos trilhos. Maldito mito que aprendemos na infância, da época de nossos tataravós: se você for uma boa menina, a vida vai sorrir pra você. Doce ilusão...

Calma, leitores, esta não é uma crônica pessimista nem com dose alguma de negatividade. Não faria isso jamais com vocês numa ocasião como esta, de Ano Novo. Esta crônica é apenas um desabafo de alguém que descobre tardiamente que Papai Noel não existe e que o Ano Novo poderá ser muito bom, sim, mas se arregaçarmos as manguinhas para fazê-lo diferente.

Enfim, tanto blá-blá-blá e eu me perdendo do tema: ‘ser certinha’. Pois bem, eu era certinha, desde criança. Nunca quebrei um braço, nunca roubei uma fruta nem bati um coleguinha. Queria, sim, ter transgredido mais e aí, agora, teria mil estórias pra contar. Mas não... minha infância foi deliciosamente calma e previsível. Na adolescência e juventude, idem: sempre passei de ano, jamais me envolvi com “turmas da pesada” e nem sequer fumei um cigarrinho de maconha. Nada... minha vida não rende uma boa novela.

Aí eu fico velha (já não tão certinha como antes) e vem um sujeito me perguntar quais as minhas “reais intenções”??? Ei, perai: essa frase não deveria ser, supostamente, minha? A minha surpresa foi tanta com a inquisição que eu, de supetão, respondi: “Minhas intenções? São as piores possíveis!”. E... ufa, que bom: me libertei do ‘ser certinha’.

(Escrito em: Salvador-BA, 03/01/2010)

(Leia também o texto da quinzena de Fabio.)


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Sobre o caráter ficcional das obras
As obras aqui publicadas são inteiramente ficcionais, em nada correspondendo ao comportamento ou opinião pessoal de seus autores. Qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais é mera coincidência.
 
 
 
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