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Oxalá
Postagem: 26/02/2010
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atalho_cronicas
Paris, je t´aime
Tissiana Berenguer Cavalcante
Postagem em: 17/01/2010
Quando o trem partiu de Zurich, ainda vi as lágrimas no rosto da minha amiga. Companheira fiel, com quem dividi momentos densos passados na época em que moramos em Paris. Só aí me dei conta: esta seria a primeira vez em que eu voltaria à cidade-luz... dez anos se passaram e eu nem percebi... e aí caí, também, no choro. Um choro guardado, antigo.
Não consegui dormir durante a viagem. Passei por campos, casas, cidades. Vi a noite chegar mas, apesar da diminuição da luminosidade lá fora, eu ia ficando cada vez mais desperta por dentro. Uma espécie de euforia, de excitação... e ao mesmo tempo, medo. Medo da emoção que poderia sentir ao retornar àquela cidade que, tantas vezes, não me trouxe luz, mas trevas. Medo também ao lembrar do que mesmo em meio às trevas, foi luz.
Enfim, cheguei à cidade, pela famosa Gare du Nord. Fui recebida por um vento gélido e um sujeito louco me deu boas-vindas, pedindo-me um cigarro. ‘Je ne fume pas’. Incrível eu nunca ter fumado mesmo tendo morado em Paris. Incrível, aliás, que nunca tenha feito tantas coisas nesta cidade ao mesmo tempo ímpar e múltipla. Este era o propósito desta viagem: fazer o que não fiz. Revisitar para fechar o que ficou aberto, finalizar o inacabado.
Paris me recebeu muito bem, me prestigiando, surpreendentemente, com um clima favorável à alegria. Foi assim que encontrei os franceses bem-humorados e acolhedores: 8 dias de sol em meio ao outono. 8 dias de luz para apagar as trevas. Calor para afastar o mofo das memórias e abrir espaço para o ventilar do novo. Jardin du Luxembourg, Place Voges, Marais, Tour Eiffel, Louvre... e por-do-sol, croissant comido na porta da padaria, banho de chuva em meio à Île Saint-Louis. Momentos inesquecíveis que me ajudaram a re-significar a minha ligação com aquela cidade, que será sempre um pouco minha.
Difícil foi ir embora. Curiosamente, o dia amanheceu com 10 graus a menos e uma chuvinha fina daquela que nos faz pensar que São Pedro, por alguma razão, deve estar chorando lá em cima. E eu, melancólica e nostálgica por natureza, chorava aqui embaixo, vendo as luzes da cidade acesas mesmo às 9h da manhã, em meio à treva parisiense.
Parti com a certeza de que eu não era mais a mesma... e tampouco a minha Paris. E fui consolada pela taxista que, desconcertada em meio ao meu pranto, perguntava se eu havia deixado algum amante francês na cidade. E eu só conseguia falar: não, não... Paris... Paris, Je t´aime.
(Escrito em: Salvador-BA, 17/01/2010)
(Leia também o texto da quinzena de Fabio.)
Foto: Tissiana Berenguer Cavalcante
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Sobre o caráter ficcional das obras
As obras aqui publicadas são inteiramente ficcionais, em nada correspondendo ao comportamento ou opinião pessoal de seus autores. Qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais é mera coincidência. |
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