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atalho_cronicas_fabio
Oxalá
Postagem: 26/02/2010
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atalho_cronicas
Galhos de uma mesma raiz
Fabio Andre Silva Reis
Postagem: 22/01/2010
Pedra bruta que se transforma em preciosa. Matéria-prima que se altera em diferentes direções. Povo que segue por distintos caminhos. Uva que se torna tinto, rosé, branco ou espumante. Os caminhos, processos e obstáculos lapidam e transformam. Embrutecem ou aprimoram. Potencializam ou enfraquecem.
Da uva ao vinho, do norte ao sul, da pedra ao diamante. Do dique ao lago, do Tororó ao Guaíba. Do chimarrão à água de côco. É engraçado sentir-se brasileiro, mas nem tanto. Nascido onde nascera o Brasil, sou invadido por uma sensação permanente de déjà-vu. O idioma é o mesmo, mas a pegada é outra. Pegamos na unha, enquanto aqui, pegam no laço. Eu vejo seios onde outros vêem cuias.
Eis que me encontro com Mãe Oxum em Ipanema, quem diria. Vejo um despacho na encruzilhada. Percorro um gaúcho Vale dos Vinhedos com ramificações no meu nordestino São Francisco. Cucas, polentas e galetos. Dois de fevereiro: lavagem baiana e feriado porto-alegrense. Uma Cachoeira do Caracol com muita Fumaça. Um Lago Negro como as águas do Abaeté. Um Beira-Rio que ainda ecoa nosso bi-campeonato em 89.
Sinto-me brasileiro e, ao mesmo tempo, estrangeiro. Sensação estranha, qual reencontro com parente distante que não vemos há dezenas de anos: um misto de intimidade e desconfiança. Um eco do passado, uma porção brasileira que se preserva no olhar, no sotaque, no rebolado e na malícia das pessoas.
Ramificações de uma mesma matriz. Galhos de uma mesma raiz. Territórios de um mesmo país.
(Escrito em: Porto Alegre-RS, 18/01/2010)
(Leia também o texto da quinzena de Tissiana.)
Foto: Fabio Andre Silva Reis.
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Sobre o caráter ficcional das obras
As obras aqui publicadas são inteiramente ficcionais, em nada correspondendo ao comportamento ou opinião pessoal de seus autores. Qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais é mera coincidência. |
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