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Oxalá
Postagem: 26/02/2010
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Oxalá
Fabio Andre Silva Reis
Postagem: 26/02/2010
Èpa Babá!
Percorro as ruas do Pelourinho e observo diferentes representações do mesmo orixá. É a mesma ideia enraizada em diferentes mídias. São variadas manifestações de uma mesma crença. Vejo Oxalás de madeira, metal, pedra, resina e barro. Avisto, inclusive, Oxalás feitos de porcelana fria e até mesmo, palha.
Meu Oxalá é feito de vento, terra, fogo e água. Habita-me em suas perfeições e imperfeições humanas. Algumas vezes, pacífico, sereno, criador e pacificador. Outras, sou teimoso, defensor inabalável dos meus ideais e vontades. Marcado pelo azeite de dendê, sal, carvão e demais cicatrizes deixadas ao longo da vida, sigo apoiado no meu ôpá xôrô a suportar as vicissitudes e armadilhas cotidianas.
Talvez por estar a pisar nas mesmas pedras, lembro-me da iniciação nos Filhos de Gandhy. Turbantes, pombas e milho branco. Em breve momento de transe, a paz invadiu os meus sentidos em pleno domingo de carnaval, sem necessidade de pedir licença: era velha conhecida. Engraçado. A sensação de paz que emana desse tapete de neve, a cobrir os vastos campos do interior inglês, em plena sexta-feira, lhe é similar. Mensagens de paz brotam através da espessa janela do trem: minha ecrã móvel. Fecho os olhos e desejo um ano repleto de desafios, além de muita saúde e motivação para conquistá-los.
O pensamento logo me transporta para o Senhor do Bonfim. É o meu hino e a minha colina. Minha lavagem e meu carnaval. Meu recomeço de caminhada. Oxalá tenhamos um bom começo de mundo, um bom começo de ano.
(Escrito em: Sheffield-UK, 26/02/2010)
(Leia também o texto da quinzena de Tissiana.)
Foto: Fabio Andre Silva Reis.
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Sobre o caráter ficcional das obras
As obras aqui publicadas são inteiramente ficcionais, em nada correspondendo ao comportamento ou opinião pessoal de seus autores. Qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais é mera coincidência. |
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