atalho_cronicas
Tempora mutantur et nos in illis  
Fabio Andre Silva Reis
18 Jun 2016
Salvador-BA
 
Num dos seus frequentes momentos de sabedoria e perspicácia, um amigo de longas datas me disse, habilmente, que coração de mulher é terra que urubu vai de bota. Que expressão precisa! Que observação feliz e acertada!

De fato, coração de mulher é terreno movediço, tóxico, a ferver sob elevadas temperaturas. Até mesmo os microorganismos que vivem em ambientes inóspitos necessitam de equipamentos de proteção especiais para ingressar nesse território alienígena, sem a garantia de que sairão ilesos de lá.

O coração feminino é uma caixa de surpresas permanentes; nem sempre agradáveis. É um quebra-cabeça sem sentido formado por infinitas peças que não se encaixam. Uma esfinge grega - sim, aquela com cabeça de mulher - a estrangular os viajantes ingênuos e incautos, sedentos por decifrar as indagações e os humores femininos.

Não faz muito tempo, eu vestia minha fantasia de Édipo e aplicava todos os meus conhecimentos adquiridos ao longo da vida, fossem eles baseados nos livros, aprendidos nas viagens, sorvido em filosofias de botequim. Aplicava, sobretudo, boa parte do tempo que dispunha para decifrar os enigmas sistólicos e diastólicos femininos.

Entretanto, os tempos mudam e mudamos com ele.

Hoje, o Édipo está morto e enterrado. Cansou-se de sua busca infantil, ingênua e inútil a conjecturar movimentos lunares, fluxos energéticos, e sistemas autopoiéticos com o fito de decifrar os enigmas femininos.

Hoje, e doravante, respondo apenas a duas perguntas simples, conhecidas por qualquer investidor iniciante: quando entrar e quando sair. Nada mais. Rápido e direto, sem elucubrações infrutíferas, sem energias desperdiçadas, racional, como il faut.

Ó tempo rei!
 
   
 

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