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Mulher vintage  
Fabio Andre Silva Reis
27 Fev 2016
Salvador-BA
 
É realmente impressionante. Algumas mulheres vivem uma vida inteira para alcançar a tão almejada independência financeira, estudam desde a tenra idade para tornarem-se medalhistas laborais, enchem os olhos de sangue para adentrar o mundo corporativo, colocam a faca nos dentes para sobreviver na selva machista, injetam quantidades cavalares de testosterona para exalar masculinidade e fingem depender apenas de si próprias para desobstruir um encanamento entupido.

Vencer, vencer e vencer, apesar dos homens e, sobretudo, das mulheres.

Carro, casa e vida próprias. Dividir uma conta num restaurante é condição necessária para evitar um clima beligerante pós-jantar. Pode deixar que ela cuida sozinha de sua própria gripe, ainda que ela esteja com febre; pode deixar que ela própria dirige e abre a porta do carro; pode deixar que ela carrega sozinha as compras do mercado; pode deixar que ela tira a própria roupa. Esteja avisado: oferecer ajuda poderá ser uma ofensa imperdoável.

Revolucionárias, radicais e sexistas, apesar dos homens e, sobretudo, das mulheres.

E, por favor, não me venham com a conversa do politicamente correto. Às favas com o politicamente correto que cerceia o livre pensar. Ao menos, ainda tenho o direito de eleger as minhas preferências, com quem quero compartilhar a minha cama e minha vida, seja essa mulher uma dona de casa, vintage, mulher anos 50, dondoca, cheia de dengo para dar, obviamente inteligente, independente e, acima de tudo, respeitada.

Nesse mundo que já é de outra geração, a simples cena de uma mulher lavando os meus pratos, esfregando minhas cuecas, cuidando do meu resfriado é de uma excitação sobrenatural. Basta imaginar minha mulher cortando as minhas unhas, aparando o meu cabelo, coletando os meus sapatos na chegada do trabalho, cuidando zelosamente da nossa casa e passando minhas camisas que começo a salivar de prazer, regozijar sem pudores, rugir sem considerar os ouvidos da vizinha feminazi do andar inferior.

Quero uma mulher vintage.
 
   
 

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