atalho_cronicas
Ars moriendi  
Fabio Andre Silva Reis
28 Out 2014
Salvador-BA
 
Poucos conseguem perceber que o final é a fase mais importante de qualquer processo. Cruzar a linha de chegada é um instante sublime. Alcançar um objetivo há muito desejado é momento crucial. Gozar no final é uma arte que poucos (e poucas!) conseguem dominar.

No final, as emoções afloram em lances pirotécnicos e surge o risco de se perder tudo aquilo que fora conquistado. No topo da montanha, torna-se prudente meditar, impor limites, garantir a ocupação, e respirar antes de partir para novas conquistas: o despenhadeiro está bem próximo.

Poucos conseguem perceber o momento certo para terminar etapas, para colocar um ponto final nos seus parágrafos, e deixar para trás a bagagem excessivamente pesada que os impede de voar a leveza da vida. Há muitos zumbis e moribundos a criar fantasias para se proteger da morte inevitável e transformadora.

O arrefecimento do interesse mútuo, o tédio do cotidiano a dois, o declínio da paixão, o desinteresse sexual, o suposto fim do relacionamento e a inevitável morte do amor. E caso seja inevitável morrer, que o amor morra com arte, sem desespero, sem pressa, com calma. Que o amor morra para hibernar e ressuscitar transformado, forte e rejuvenescido.

Sim, por vezes é necessário deixar o amor morrer para que torne-se chama novamente. Reacenda e queime infinitamente para a mesma pessoa pela qual ele morreu. Quão belo e forte é o amor morto e renascido para a mesma pessoa!

Saber morrer é preciso, viver não é preciso.
 
   
 

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