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Fabio Andre Silva Reis
27 Jan 2015
Salvador-BA
 
Basta ficar imóvel, fechar os olhos e ouvir atentamente a música. É simples: um, dois... um, dois... um, dois. Imagine um pêndulo. Imaginou? Uma vez identificado o ritmo, basta acompanhá-lo. Movimente o corpo nessa toada e você estará em sintonia com a música. Poderá, inclusive, improvisar novos passos e acrobacias. Contudo, é importante seguir a cadência, manter-se fiel ao ritmo. Vamos lá: um, dois... um, dois... um, dois.

O crucial é identificar esse vaivém contínuo, esse compasso, essas idas e vindas, um movimento pendular que, via de regra, mantém-se permanente durante a melodia, e fazer o corpo movimentar-se ao longo desse compasso. Em torno dele qualquer movimento torna-se equilibrado, consonante. Fora dele, não há salvação: apenas movimentos desengonçados, corre-se o risco de pisadas no pé do seu par, enfim, não há sintonia, dançaremos fora do ritmo e todos perceberão que os corpos não se encaixam.

Então, feche os olhos. Chegue mais perto. Sinta os meus braços em volta da sua cintura e o meu corpo contra o seu. Pronta? Percebe a pulsação? Um, dois... um, dois... um, dois. Um para lá, outro para cá. Um para lá, outro para cá. Isso! Basta seguir o meu quadril. Mais perto. Relaxe.

Tenha paciência: movimentar-se fora do ritmo é nadar contra a maré. Primeiro observe o ambiente, ouça atentamente a música nas pessoas e sinta a energia que preenche o espaço ao seu redor. Um, dois, três... um, dois, três... um, dois, três. Percebeu que o ritmo mudou? É outra música. Agora adeque os seus movimentos a essa nova melodia.

Utilize a onda em seu favor, deslize na frequência do compasso, tenha humildade para respeitar o vaivém. Será esteticamente mais bonito e fisicamente menos dispendioso. Aguarde enquanto o fruto estiver verde e desfrute-o quando estiver maduro. Um, dois, três... um, dois, três... um, dois, três.

Não há pressa. Perceba a energia em volta. Respire o ambiente. Identifique a direção do vento antes de içar velas. Faça o seu barco dançar ao sabor dos ventos, mas na direção que você decidir. Vamos singrar pelo salão com a vela içada na direção da melodia.

Um, dois... um, dois... um dois. Agora sim! Percebeu?

É que nem a vida.
 
   
 

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