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Cenouras  
Fabio Andre Silva Reis
26 Dez 2014
Salvador-BA
 
Tento escrever uma frase otimista e confiante, mas os meus pensamentos são capturados pela vontade de reclamar, criticar, xingar e mandar às favas o ano de 2014. Meu lado rabugento toma conta do teclado, o mal-humor preenche os espaços vazios do texto, meus lábios contraem-se a esconder qualquer esboço de sorriso.

Neste ano, fui escorraçado do meu ponto de equilíbrio, afugentado da minha zona de conforto e exposto aos mais difíceis desafios, cuja solução não constavam no meu manual de estratégias prontas.

Experimentei de tudo: cascas de banana espalhadas por todos os lados, não travestido de sim e sim disfarçado de talvez, sirenas com seus cânticos sedutores e maliciosos, além de inúmeras noites maldormidas e abstinentes.

Emagreci, perdi tufos do cabelo, nutri olheiras, tive o meu cartão de crédito clonado e ganhei um vizinho que é fã do ritmo de arrocha no mais alto volume. O chicote tornou-se meu companheiro fiel, enquanto as cenouras foram propositalmente esquecidas.

Confesso que deixei de celebrar. Confesso que quase peço para sair. Confesso que, por pouco, não joguei a toalha. Confesso que, por vezes, pensei em abandonar o barco e deixá-lo à deriva. Confesso que estava quase certo da desnecessidade do ano de 2014.

Mas é o que tem pra hoje.

E hoje percebo que basta respirar com calma, abrir bem os olhos, e enxergar com outras lentes para notar que, definitivamente, as cenouras sempre estiveram lá.
 
   
 

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