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Meu santo está cansado  
Fabio Andre Silva Reis
30 Abr 2010
Sheffield-UK
 
Estou cansado. Cansei. Envidei todo os esforços possíveis, empenhei minhas energias até a exaustão, o oxigênio acabou, rezei todas as preces que conheço, mas meu santo está cansado. Recebo apenas críticas ferozes, parágrafos riscados, olhares piedosos e chicote sem cenoura. Meu jegue empacou. Liguei o botão antiestresse, aquele nosso velho conhecido.

Quanto mais corro, mais retorno ao início. Quanto mais rezo, mais assombração me aparece. Quando mais nado em direção à praia, mais distante estou da costa. Desisto. É hora de o mundo parar porque eu quero descer. Não adianta esmurrar a parede com toda minha força porque a cada murro, ela dobra de espessura.

Enfim, é o fim. Meu santo cansou.

Esse é o preço a pagar pela minha patológica curiosidade. Permanecer na zona de conforto é algo tedioso. Preciso enfrentar desafios cada vez maiores, conhecer novas paisagens, novas línguas… Ai, ai, ai. As línguas são o meu fraco, mas isso é uma nova história, para um novo pôr-do-sol. Por enquanto meu santo está cansado. Então, sem línguas, neste momento.

Respiro fundo. – Tá com medinho?, ouço a voz do Capitão Nascimento e respiro fundo outra vez. – Vai pedir pra sair?, ele pergunta novamente. Ah, meu caro Capitão Nascimento, ‘lá no sertão, cabra macho não ajoelha’. Meu santo está cansado, mas continua curioso.